EU ME CONTRATARIA?

Fim de tarde, quase noite, e sol se pondo… Logo depois de se despedir do Paulo, André foi para casa. Enquanto preparava um delicioso café, Laura chegou do trabalho.

André – Oi amor, estou passando um cafezinho da hora! Como foi seu dia? Muita correria na empresa? Muito cliente chato?

Laura – Sabe como eu sou, sempre correndo, né! Não diria chato, mas exigente! Tinha cliente apressado, animado, conversador, calado, sério, risonho, enfim, todas as cores da aquarela humana!  Representante comercial não morre de tédio, tem é que saber como se comunicar! E você, já conseguiu sua nova vítima?

André – Não começa vai! Hoje encontrei o Paulo e ele falou que me enviará alguns currículos.

Laura – Deixa eu ver, com a próxima contratação serão 4 em 8 meses, então, isso dá uma média 0,5 arquiteto júnior por mês! Qual foi o recorde mesmo? Ah, foi o Pedrinho, quase 6 meses!

Laura dirigiu-se à suíte para tomar um banho antes do café e, do banheiro, morrendo de rir, gritou em tom de piada:

Laura – Ainda bem que não sou arquiteta, senão você já tinha me colocado para correr também! Seu “monstro”!

André – Ah! Ah! Ah! Muito engraçadinha!

A piadinha de Laura provocou um reboliço na cabeça do André. Seria ele um “monstro” desumano? Um chefe inclemente? Um déspota impiedoso? Claro que não! Não mesmo?

No artigo anterior mencionamos que duas seriam as possibilidades de aumentar o número de demissões no escritório do André. A primeira, como anteriormente explorada, seria a contratação levando em conta somente aspectos técnico curriculares, desprezando as características comportamentais do candidato. Em pesquisas recentes [1] foi constatado que 90% das organizações demitem profissionais em razão de problemas comportamentais e não por incompetência técnica. De onde se conclui que aspectos comportamentais do candidato são muito importantes!

Agora, vamos à segunda possibilidade. Comecemos com um estudo [2] que nos diz que 80% dos profissionais pedem demissão devido à problemas com seu “chefe”. “Chefe” ou “Líder”? Bem, esse assunto será tratado em outro artigo! Voltemos aos problemas com o chefe. O estudo elencou as 3 principais causas para um pedido de demissão são:  1) O “chefe” não é inspirador; 2) Falta de crescimento profissional; e 3) Falta de feedback para desenvolvimento profissional. Tudo começa com um desânimo crônico com a empresa onde trabalha e, depois, o fatídico pedido de demissão.

Por quê?

Será que o protagonista de nossa história já fez a seguinte pergunta a si mesmo: Eu me contrataria?

Recentemente li um livro em que o autor relatava que tinha sido chamado para prestar consultoria em uma empresa na qual o proprietário reclamava que todos os seus subordinados eram incompetentes, que não sabiam fazer nada direito e que tinham sérios problemas de comunicação. Enfim, ele alegava estar “cercado de idiotas”; por sinal, esse é o título da obra. A essa altura você já deve ter pensado exatamente o que eu pensei; isso mesmo, o problema não eram os colaboradores!

Quando situações assim acontecem, um sinal de alerta deve soar na cabeça de quem está na posição de liderança. O alerta informa que alguma coisa está acontecendo e alguma ação deve ser tomada. Mais ainda, que antes de apontar o dedo para alguém, devemos fazer uma autocrítica, lembrando que quando cerramos a mão e apontamos o dedo em riste para alguém, essa mesma mão aponta três dedos para nós mesmos. Cada um desses dedos diz uma coisa: 1) Não estou me comunicando corretamente; 2) Não estou motivando corretamente as pessoas; e 3) Minhas habilidades interpessoais precisam ser melhoradas ou desenvolvidas.

Comunicação é uma via de mão-dupla e, quando se está trabalhando em um grupo diverso, cada integrante deve ser capaz de identificar o estilo de comunicação de seus interlocutores para saber modular, de forma efetiva, as mensagens que transmite e, também, entender adequadamente as mensagens que recebe.  Saber o que deve ser feito nem sempre é tarefa difícil, mas, muitas vezes, o difícil mesmo é responder a seguinte questão: Eu consigo comunicar, de forma eficaz, o que deve ser feito?

Uma famosa citação, constantemente atribuída a vários personagens da história, diz que “o pessimista enxerga dificuldades diante de uma oportunidade, o otimista enxerga oportunidades diante de uma dificuldade”. Isso leva o pessimista a fugir e, o otimista a fazer o que tem que ser feito. Para tanto, é necessário que se saiba quais são as forças impulsionadoras que fazem o motor da vontade humana funcionar. Uma vez que eu conseguir identificar, em mim, essas forças, a grande pergunta que surge é: Eu consigo, minimamente, reconhecer o que motiva os outros a fazer o que deve ser feito?

Todo tipo de trabalho exige que determinadas habilidades pessoais sejam empregadas com específicos graus de competência em sua execução. Uma vez identificadas as características das minhas atividades, devo ser capaz de identificar se possuo ou não as competências necessárias para cumprir as atividades a contento. Caso não as tenha, devo então adquiri-las. Como não poderia deixar de ser, segue a terceira e derradeira pergunta: Eu consigo identificar, nos outros, as habilidades necessárias para fazer o que deve ser feito?

Muitas vezes o problema não está no comportamento inadequado da pessoa contratada, mas, no comportamento da pessoa contratante. Nessa hora, ter a humildade de perceber-se como possível ponto de inflexão é estratégico! Nossa tendência natural, como seres humanos, é nos considerarmos “o último biscoito do pacote”, mas cuidado, o biscoito pode estar mofado! É esse mofo que certamente contribui, e muito, para compor a triste estatística daqueles 80% de profissionais que pedem demissão por conta do “chefe”.

O problema do André, nosso arquiteto, é o desconhecimento do seu Fator de Plenitude Profissional (FPP), o que pode criar várias dificuldades na hora dele se relacionar profissionalmente com seus contratados. A boa notícia é que essas dificuldades podem ser superadas com uma boa consultoria comportamental.

Conhecer o seu perfil comportamental e o de seus colaboradores, mais do que fundamental, é ESTRATÉGICO!

Um forte abraço,

Alvaro Urbanetz

Consultor APERCOM

P.S. – Qual a diferença entre o André e a Laura? A Laura sabe se comunicar muito bem e ela conhece os estilos de comunicação. Você conhece? Ainda não? Então, não perca o próximo artigo!


[1] 9 em cada 10 profissionais são contratados pelo perfil técnico e demitidos pelo comportamental | Concursos e Emprego | G1 (globo.com)

[2] 8 em cada 10 profissionais pedem demissão por causa do chefe; veja os motivos | Concursos e Emprego | G1 (globo.com)

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